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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Resenha: Coménio e Educação

COMÉNIO, J. A. Da disciplina Escolar; Da organização universal e perfeita das Escolas. In: Didáctica Magna. 3ª Edição. Praga: Fundação Calouste Gulbenkian, 1957.

A obra de Coménio possui uma perspectiva universal de educação na qual procura englobar a transmissão da consciência crítica mesclada com as virtudes de um homem religioso. Ou seja, utiliza o método de universalização do saber para expandir o conhecimento religioso que levará o homem a salvação. Em síntese, ele defende a disseminação (tipografia) do conhecimento. Com isso, cria o material didático para facilitar a produção do conhecimento em massa. Esta preocupação de Coménio, com a educação em massa, deriva do período em que viveu marcado pela transição do feudalismo para o capitalismo, vivenciando o paradoxo entre o Antigo Regime e as forças produtivas capitalistas.

Em sua didática, Coménio estabelece os limites. Para quem exorbita é necessário aplicar uma correção. Porém, ele defende que o ato violento é dado somente para casos extremos a fim de evitar a reincidência dos atos indesejáveis. Para ele, a melhor maneira de consertar os atos ilícitos é estimular com elogios quem pratica algo correto e repreender aqueles que exorbitam. Afinal, acredita que a punição psicológica é muito mais eficaz do que a punição física. Desta forma, Coménio promove as práticas de competição entre os alunos provenientes, também, do surgimento das sociedades pré-capitalistas que quebram com as sociedades feudais, no que diz respeito a estatização das classes sociais. Em suma, nasce a mobilização de classes devido ao caráter de competência do capital, ou seja, as pessoas podem mudar de condições financeiras e, por conseguintes, sociais por sua competência e não mais pela sua herança de riquezas.

Uma das características fundamentais na concepção moderna de educação em sua obra está no processo gradativo de educação. Portanto, as práticas de ensino passam a ser graduadas: ensino do conteúdo mais simples ao mais complexo, facilitando, deste modo, o processo de aprendizagem.

Isto posto, pode-se concluir que as punições entre professor e aluno presentes até os dias atuais são provenientes do espírito competitivo e autoritário do modo capitalista de produção.